Por que as atletas não menstruam? 

Praticar atividades físicas pode ser muito benéfico à saúde. Porém, exercícios físicos também podem gerar disfunções no organismo quando realizados em excesso. No caso das mulheres atletas, a prática intensiva de atividades físicas - aliada a fatores como estresse, suplementação e alimentação inferior em relação ao gasto de energia sofrido durante as atividades, entre outros fatores -  pode as levar à amenorreia¹.

O termo amenorreia é usado para retratar a ausência ou intervalo superior a noventa dias entre os períodos menstruais¹, ou seja, o raro ou inexistente fluxo menstrual.

Como, exatamente, o exercício pode influenciar o fluxo menstrual?

O nosso clico menstrual é resultado de um processo regulado ciclicamente por fatores hipotalâmicos e hormonais¹.

Acontece que exercícios físicos em excesso tendem a gerar a perda do tecido adiposo, também chamado de gordura corpórea. O tecido adiposo é responsável pela secreção da Leptina, um hormônio que sinaliza o hipotálamo (determinada área cerebral) sobre as nossas reservas energéticas, além de modular o funcionamento dos eixos hormonais que envolvem o hipotálamo e a hipófise¹.

A Leptina também acaba tendo um importante papel sobre o tecido ovariano¹, pois tem relação com o hipotálamo, que produz uma secreção denominada GnRH, que influencia indiretamente os ovários à produção de estrógeno e progesterona¹².

Quando associado a uma ingestão alimentar insuficiente, o excesso de exercícios pode gerar um balanceamento energético negativo: o corpo gasta mais energia do que ingere e há perda excessiva de tecido adiposo. Com esta perda, há também a redução da concentração de Leptina no organismo¹. A falta de Leptina desencadeia uma série de desajustes hormonais.

Um ciclo menstrual normal requer a manutenção da liberação pulsátil de GnRH em frequência e amplitude². Quando isso não acontece há a alteração na produção hormonal relacionada ao ciclo menstrual, gerando a escassez do fluxo menstrual ou a ausência total dele, o que constitui a chamada amenorreia hipotalâmica disfuncional¹. 

Simplificando, a maioria das atletas não menstruam devido à perda de gordura associada à pressão psicológica que recebem de terceiros, e ao estresse relacionado ao seu longo e extenuante treinamento físico. A perda de tecido adiposo influencia na produção de estrógenos ovarianos importantes, causando, assim, a amenorreia¹. Estima-se em torno de 22% a quantidade de gordura corporal necessária para manutenção do ciclo menstrual¹.

O termo amenorreia é usado para retratar a ausência ou intervalo superior a noventa dias entre os períodos menstruais¹

Referências: 

1) Ribeiro SML, Santos ZA, Silva RJ, et al. Leptina: aspectos sobre o balanço energético, exercício físico e amenorreia do esforço. Arq Bras Endocrinol Metab. 2007; 51(1): 11-24.

2) Pardini DP. Alterações Hormonais da Mulher Atleta. Arq Bras Endocrinol Metab. 2001; 45(4): 343-351