Menstruação atrasada e os seus desconfortos

Mensalmente, a mulher que conhece o seu organismo e o seu padrão menstrual, aguarda a vinda do seu ciclo. Acontece que, por vezes, distúrbios menstruais aparecem, a menstruação não vem e, embora causem inúmeros pontos de interrogação na cabeça, eles são mais comuns do que se imagina. Aliás, são situações clínicas recorrentes no dia a dia do ginecologista¹. Por isso, é importante saber como identificar se a sua menstruação está atrasada, o que pode causar essa disfunção e quais são os desconfortos que podem surgir devido a essa pausa.

Como saber se a sua menstruação está irregular?

A menstruação é um ciclo sanguíneo mensal. Ou seja, uma perda natural de sangue que ocorre todos os meses. Esses ciclos acontecem, normalmente, com intervalos de 28 a 30 dias, durando - em média - de três a cinco dias¹. Logo, para ser considerado um desvio menstrual, os intervalos precisam ser menores que 21 ou maiores que 35 dias, podendo durar menos que dois dias ou mais de oito¹. Agora é fácil de perceber se você está neste grupo, inclusive ter ciência que, se estiver, não está sozinha; e que podem ser inúmeras as causas desse atraso - e não apenas uma inesperada gravidez.

Menstruação atrasada é gravidez?

Essa é uma das primeiras hipóteses a serem consideradas pelas mulheres quando um distúrbio menstrual ocorre. Por isso, nada melhor que acabar de vez com essa dúvida por meio de um teste de gravidez. Embora a primeira opção seja fazer um teste de farmácia, que tem uma grande taxa de acerto, a forma mais segura de saber se você está (ou não) prestes a aumentar a família é o teste Beta-hCG. Atualmente, já é possível saber se você está grávida com apenas um dia de atraso menstrual², o que ajuda muito na hora de se certificar o que de diferente está ocorrendo com o seu corpo e como agir diante das circunstâncias.
O próprio corpo aponta alguns sinais de gravidez, como se ele quisesse lhe contar a novidade aos poucos, de forma sutil. Estes sintomas podem ser, além do atraso menstrual, náuseas, vômitos, congestão mamária, pigmentação mamária, polaciúria (urinar mais vezes e eliminando menos quantidade de urina)². E se a gestação estiver mais avançada, outro sinal é o aumento do volume e da consistência uterina². Portanto, vale ficar atenta a esses outros indícios também para descartar qualquer suspeita.

Não era gravidez, então o que são estes desconfortos?

Uma vez certificada de que você não está grávida, existem outros motivos que podem estar causando dores, irregularidade e o próprio atraso menstrual. Por isso, serão listadas algumas das influências externas e internas que podem estar causando esses aspectos - mas independente de qual seja, é importante procurar um especialista, para auxílio e acompanhamento imediato.

- Início de menstruação: após a menarca (primeira menstruação) é comum os ciclos serem irregulares, principalmente entre um ano e um e meio após esta primeira menstruação³. Então, se você estiver nesse período de adaptação do corpo, fique tranquila, pois outras jovens podem estar passando pelos mesmos transtornos.

- Eventos estressores comuns: o nome parece difícil, mas o significado você conhece muito bem. Tratam-se de acontecimentos da vida que geram estresse, atingindo o funcionamento da mente e do corpo, como a troca de um emprego, dificuldades financeiras e até discussões diárias. Esses eventos fazem com que irregularidades menstruais aconteçam, atrasando ou adiantando o ciclo¹. Isso implica que mulheres mais sensíveis tenham irregularidade frequente³.

- Nutrição: ter distúrbios alimentares, como anorexia ou compulsão por comida, que fazem ingerir pouquíssimos ou muitos alimentos durante o dia, influencia diretamente no comportamento da sua menstruação³. Então, se você possuir mais ou menos de 20% do peso ideal , a curto prazo, a sua menstruação será ou já pode estar sendo afetada³.

- Doenças sistêmicas: o distúrbio menstrual pode estar estritamente associado a doenças, como insuficiência renal crônica, doenças hepáticas, endocrinopatias, colagenoses e outras³. Por isso, ao sentir dores e verificar irregularidades menstruais, é imprescindível a ida ao ginecologista.

Alguns exemplos de irregularidades menstruais

- Amenorreia: trata-se da ausência do fluxo menstrual. Podendo ser primária, quando a menarca demora a acontecer; ou secundária, quando há ausência da menstruação em um período em que deveriam ter ocorrido os ciclos³.

- Oligomenorreia: quando a irregularidade menstrual tem um intervalo maior que 35 dias, pode ser considerada oligomenorreia³. Por isso, o acompanhamento do especialista é tão importante.

- Espaniomenorreia: caso o seu intervalo entre os ciclos seja superior a 45 dias, com até 60 dias, você pode estar com este distúrbio³. Não hesite em procurar auxílio para compreender melhor seu corpo e organismo.

Por todos esses motivos, a atenção com o ciclo menstrual deve ser constante e requer acompanhamento e cuidados periódicos. É importante se dar conta de que ao sentir dores e desconfortos devido à menstruação, você e a sua saúde podem estar sendo afetadas. Se as dúvidas são muitas, e o seu receio com o que esteja causando a sua menstruação atrasada for ainda maior, então você deve ir ao ginecologista. Caso você nunca tenha se consultado, clique aqui e entenda como ocorre a primeira consulta ao ginecologista - e deixe o receio de lado!

Mensalmente, a mulher que conhece o seu organismo e o seu padrão menstrual, aguarda a vinda do seu ciclo.

Referências:

1- Melo NR, Machado RB, Fernandes CB. Irregularidades menstruais: inter-relações com o psiquismo. Rev. Psiq. Clín. 2016; 33 (2): 55-59.

2- Hercowitz A. Gravidez na adolescência. Pediatr. Mod. Ago. 2002; 38 (8): 392-395.

3- Beznos GW. Distúrbios menstruais. Pediatr. Mod. Ago. 2002; 38(8): 372-375.