Como interromper a menstruação temporariamente?

Tempos atrás, pensar em interromper temporariamente a menstruação não era bem aceito. Havia grande resistência por parte da sociedade e das mulheres. Mas, um estudo sobre as preferências das mulheres sobre as mudanças na menstruação, que contou com 420 entrevistadas, mostrou que esse quadro está mudando. Aproximadamente um terço das mulheres entrevistadas (32,5%) afirmaram que prefeririam nunca menstruar¹. 

Uma boa parcela das mulheres modernas está se rebelando contra a “escravidão” do desconforto causado pela menstruação mensal e tem visto com simpatia a ideia de aumentar os intervalos entre um fluxo e outro ou até parar de menstruar¹. Muitas mulheres que sofrem com os sintomas da tensão pré-menstrual e passaram a cogitar a interrupção temporária da menstruação; mas, há casos em que a recomendação da interferência no ciclo menstrual é médica, visando evitar que patologias sejam acentuadas com o fluxo menstrual.

Converse antes com seu médico: antes de tomar qualquer decisão, procure orientação do seu ginecologista. Juntos, vocês devem analisar os prós e os contras da interrupção do fluxo menstrual no seu caso. Lembre-se que cada caso deve ser analisado de forma específica e que, apesar de elevada cobertura contraceptiva, não há método anticoncepcional 100% eficaz, isento de riscos ou efeitos colaterais. Além disso, há contraindicações.

Quais os métodos para interromper a menstruação?

Para a supressão do fluxo menstrual, os métodos disponíveis são fundamentados em contracepção hormonal. Há várias opções a serem consideradas. As opções a seguir ilustram algumas possibilidades de prolongar o intervalo do ciclo menstrual.

- Uso contínuo da pílula anticoncepcional - O uso tradicional de contraceptivos hormonais orais é referente à administração cíclica por 21 dias, seguida de pausa de 7 dias entre uma cartela e outra. Já o regime de uso contínuo é referente às cartelas de anticoncepcionais que contêm 28 comprimidos. Tais pílulas são tomadas diariamente, assim como as de cartela com 21 comprimidos. A diferença é que sua cartela possui 28 unidades para uso ininterrupto. Além de suprimir a menstruação, o regime estendido melhora vários dos sintomas menstruais relacionados, principalmente cefaleia, cansaço, inchaço e dismenorreia².

- Injeção intramuscular trimestral - Esse método conta somente com progesterona. O progestágeno de depósito (hormônio que fica “armazenado” por períodos prolongados) é aplicado a cada 12 semanas. A primeira dose deve ser aplicada até o 7º dia do ciclo menstrual. Provoca anovulação (ausência da ovulação), atrofia do endométrio (camada mais interna do útero) e alteração no muco cervical. Pode ocorrer irregularidade menstrual e, após 6 meses, muitos pacientes entram em amenorreia (ausência da menstruação)³. É indicada somente após os 16 anos de idade, já que o pico de massa óssea ainda não foi atingido nessa idade e seu uso tem associação com a diminuição da densidade óssea. A taxa de falha deste método é de 0,3% e pode provocar aumento de peso e acne (espinhas)³.

- Implante subcutâneo com progesterona - É um dispositivo que é implantado sob a pele (subcutâneo ou subdérmico) do antebraço, não biodegradável, que libera diariamente doses mínimas de levonorgestrel (derivado da progesterona). Este implante altera o ciclo menstrual por meio da anovulação e alteração do muco cervical³. A taxa de falha é de 0,004% no primeiro ano e de 1,1% no quinto ano. Este método pode provocar irregularidade menstrual, amenorreia, cefaleia, acne, perda ou ganho de peso e depressão³.

Os métodos mencionados não reduzem a fertilidade da mulher permanentemente. Após sua interrupção, os ciclos menstruais se restabelecem em períodos de semanas ou meses, dependendo do método utilizado. Sempre vale a pena lembrar: não existe método anticoncepcional 100% eficaz, embora muitos possuam elevada cobertura contraceptiva. Portanto, não deixe de consultar seu médico regularmente para receber atendimento adequado.

Aproximadamente um terço das mulheres entrevistadas (32,5%) afirmaram que prefeririam nunca menstruar¹. 

Referências:

1. Ribeiro CP, Hardy E, Hebling EM. Preferências de mulheres brasileiras quanto a mudanças na menstruação. Rev. bras. ginecol. obstet. Fev. 2007; 29(2):74-79.

2. Machado RB, Magalhães J,  Pompei LM, et al. Anticoncepcionais orais combinados em regime estendido. Rev Femina . 2011 Jan; 39(10): 471-77.

3. Herter LD, Accetta SG. Anticoncepção e gestação na adolescência. J. pediatr. (Rio J.).  Nov. 2001; 77(supl.2).

4. Bouzas I, Takey M, Eisenstein E. Orientação dos principais contraceptivos durante a adolescência. Rev adoles e saúde. 2013 Jan; 10(3), 27-33.